quarta-feira, 21 de setembro de 2011

MP pede afastamento de Mário novamente

quarta-feira, 21 de setembro de 2011 10:29:44
         
O Ministério Público de Santa Bárbara d’Oeste entrou nesta terça-feira (20) na Justiça com três ações civis por improbidade administrativa contra o prefeito Mário Heins (PDT), a secretária de Administração Ana Leone, o padrinho de Heins, Osvaldo Domingues e três empresas que participaram de licitações na prefeitura, entre elas a Forty Engenharia, responsável pela coleta de lixo e limpeza da cidade. Juntas, as ações somam quase R$ 20 milhões. Também foi pedido o afastamento do prefeito durante o processo e o bloqueio de bens dos envolvidos, acusados de enriquecimento ilícito.
As investigações do MP apontam que os fornecedores sabiam com antecedência que ganhariam a licitação e fraudavam contratos que geravam propina. Todo o dinheiro desviado teria sido utilizado na realização de uma Festa do Peão em 2009, na compra de gado no Mato Grosso e na campanha eleitoral da primeira dama Karen Heins em 2010. Um dos documentos anexados no processo mostra um pagamento de propina no valor de R$ 200 mil que teria sido feito ao prefeito, para liberar R$ 300 mil a mais no contrato da empresa de informática Consist, denunciado pelo ex-secretário de Meio Ambiente Tonhão Salustiano Filho. Em dezembro de 2010, o MP fez uma devassa na prefeitura e algumas secretarias em busca de documentos para apurar denúncias de corrupção no governo.
Este é o segundo pedido de afastamento solicitado pelo MP este ano. No dia 12 de abril, o promotor Hélio Jorge Gonçalves de Carvalho havia entrado com uma ação civil pedindo o afastamento do prefeito, do secretário de Cultura Giovanni Bonfim, do radialista Marcelo Hartman e do procurador jurídico Edmilson Salvador, por conta do uso da rádio municipal Santa Bárbara FM para promover o prefeito e atacar seus adversários, o MP e o Poder Judiciário. O juiz da 1ª Vara Civil, Thiago Garcia Navarro Senne Chicarino acatou parcialmente o pedido de liminar e afastou Bonfim e Hartman, mas livrou o prefeito.

fonte: http://www.novomomento.com.br/sbo.aspx

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Diálogo e construção coletiva


 Paulo Freire  me fez entender o que deve ser trabalhado nas escolas e reuniões, mostra a visão de como abordar e indicar a direção de assuntos e pensamentos, aprofundando do simples vivido no dia a  dia, transformando o  modo de pensar, este que vem de vários anos sendo moldado em escolas dirigidas por governos que mantém a elite dominante no controle e cuidando para que a dominada se mantenha  onde está. Criando o pensamento próprio e fazendo com que o coletivo se forme, assim, entendendo quem está fazendo, porque está fazendo e  quem está ganhando com o que está sendo feito.
Nos diálogos que reproduzimos abaixo, retirados de experiências de Paulo Freire com trabalhadores rurais, é cristalina essa matriz de pensamento:

“- Muito bem - disse eu a eles. - Eu sei. Vocês não sabem. Mas o que eu sei e vocês não sabem?
- O senhor sabe porque é doutor. Nós, não.
- Exato, eu sou doutor. Vocês não. Mas, porque eu sou doutor e vocês não?
- Porque foi à escola, tem leitura, tem estudo e nós, não.
- Por que fui à escola?
- Porque seu pai pôde mandar o senhor à escola. O nosso, não.
- E por que os pais de vocês não puderam mandar vocês à escola?
- Porque eram camponeses como nós.
- E o que é ser camponês?
- É não ter educação, posses, trabalhar de sol a sol sem ter direitos, esperança de um dia melhor.
- E por que ao camponês falta tudo isso?
- Porque Deus quer.
E quem é Deus?
É o Pai de todos nós.
- E quem é pai aqui nesta reunião?
Quase todos de mãos para cima, disseram que o eram.
Olhando o grupo todo em silêncio, me fixei num deles e lhe perguntei:- Quantos filhos você tem?
- Três.
- Você seria capaz de sacrificar dois deles submetendo-os a sofrimentos para que o terceiro estudasse, com vida boa no Recife? Você seria capaz de amar assim?
- Não.
- Se você – disse eu - , homem de carne e osso, não é capaz de fazer uma injustiça desta, como é possível entender que Deus o faça? Será mesmo que Deus é o fazedor dessas coisas?
Um silêncio diferente, completamente diferente do anterior, um silêncio no qual algo começava a ser pratejado. Em seguida:
Não. Não é Deus o fazedor disso tudo. É o patrão.”
O aprender com o outro, no diálogo com seus semelhantes, ensina Paulo Freire: “ninguém educa a ninguém, ninguém tampouco se educa sozinho, os homens e as mulheres se educam entre si, mediatizados
pelo mundo.”