quarta-feira, 21 de setembro de 2011

MP pede afastamento de Mário novamente

quarta-feira, 21 de setembro de 2011 10:29:44
         
O Ministério Público de Santa Bárbara d’Oeste entrou nesta terça-feira (20) na Justiça com três ações civis por improbidade administrativa contra o prefeito Mário Heins (PDT), a secretária de Administração Ana Leone, o padrinho de Heins, Osvaldo Domingues e três empresas que participaram de licitações na prefeitura, entre elas a Forty Engenharia, responsável pela coleta de lixo e limpeza da cidade. Juntas, as ações somam quase R$ 20 milhões. Também foi pedido o afastamento do prefeito durante o processo e o bloqueio de bens dos envolvidos, acusados de enriquecimento ilícito.
As investigações do MP apontam que os fornecedores sabiam com antecedência que ganhariam a licitação e fraudavam contratos que geravam propina. Todo o dinheiro desviado teria sido utilizado na realização de uma Festa do Peão em 2009, na compra de gado no Mato Grosso e na campanha eleitoral da primeira dama Karen Heins em 2010. Um dos documentos anexados no processo mostra um pagamento de propina no valor de R$ 200 mil que teria sido feito ao prefeito, para liberar R$ 300 mil a mais no contrato da empresa de informática Consist, denunciado pelo ex-secretário de Meio Ambiente Tonhão Salustiano Filho. Em dezembro de 2010, o MP fez uma devassa na prefeitura e algumas secretarias em busca de documentos para apurar denúncias de corrupção no governo.
Este é o segundo pedido de afastamento solicitado pelo MP este ano. No dia 12 de abril, o promotor Hélio Jorge Gonçalves de Carvalho havia entrado com uma ação civil pedindo o afastamento do prefeito, do secretário de Cultura Giovanni Bonfim, do radialista Marcelo Hartman e do procurador jurídico Edmilson Salvador, por conta do uso da rádio municipal Santa Bárbara FM para promover o prefeito e atacar seus adversários, o MP e o Poder Judiciário. O juiz da 1ª Vara Civil, Thiago Garcia Navarro Senne Chicarino acatou parcialmente o pedido de liminar e afastou Bonfim e Hartman, mas livrou o prefeito.

fonte: http://www.novomomento.com.br/sbo.aspx

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Diálogo e construção coletiva


 Paulo Freire  me fez entender o que deve ser trabalhado nas escolas e reuniões, mostra a visão de como abordar e indicar a direção de assuntos e pensamentos, aprofundando do simples vivido no dia a  dia, transformando o  modo de pensar, este que vem de vários anos sendo moldado em escolas dirigidas por governos que mantém a elite dominante no controle e cuidando para que a dominada se mantenha  onde está. Criando o pensamento próprio e fazendo com que o coletivo se forme, assim, entendendo quem está fazendo, porque está fazendo e  quem está ganhando com o que está sendo feito.
Nos diálogos que reproduzimos abaixo, retirados de experiências de Paulo Freire com trabalhadores rurais, é cristalina essa matriz de pensamento:

“- Muito bem - disse eu a eles. - Eu sei. Vocês não sabem. Mas o que eu sei e vocês não sabem?
- O senhor sabe porque é doutor. Nós, não.
- Exato, eu sou doutor. Vocês não. Mas, porque eu sou doutor e vocês não?
- Porque foi à escola, tem leitura, tem estudo e nós, não.
- Por que fui à escola?
- Porque seu pai pôde mandar o senhor à escola. O nosso, não.
- E por que os pais de vocês não puderam mandar vocês à escola?
- Porque eram camponeses como nós.
- E o que é ser camponês?
- É não ter educação, posses, trabalhar de sol a sol sem ter direitos, esperança de um dia melhor.
- E por que ao camponês falta tudo isso?
- Porque Deus quer.
E quem é Deus?
É o Pai de todos nós.
- E quem é pai aqui nesta reunião?
Quase todos de mãos para cima, disseram que o eram.
Olhando o grupo todo em silêncio, me fixei num deles e lhe perguntei:- Quantos filhos você tem?
- Três.
- Você seria capaz de sacrificar dois deles submetendo-os a sofrimentos para que o terceiro estudasse, com vida boa no Recife? Você seria capaz de amar assim?
- Não.
- Se você – disse eu - , homem de carne e osso, não é capaz de fazer uma injustiça desta, como é possível entender que Deus o faça? Será mesmo que Deus é o fazedor dessas coisas?
Um silêncio diferente, completamente diferente do anterior, um silêncio no qual algo começava a ser pratejado. Em seguida:
Não. Não é Deus o fazedor disso tudo. É o patrão.”
O aprender com o outro, no diálogo com seus semelhantes, ensina Paulo Freire: “ninguém educa a ninguém, ninguém tampouco se educa sozinho, os homens e as mulheres se educam entre si, mediatizados
pelo mundo.”

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Alfabetização e conscientização

 
Paulo Freire

O Brasil deve a Paulo Freire a inclusão na categoria de lutadores sociais de milhões de brasileiros e brasileiras que compreenderam o que é ser sujeito de sua própria história. Permitiu a um número expressivo de pessoas que pertenciam aos “de baixo” enxergarem–se como agentes transformadores na busca por uma sociedade mais justa e igualitária. Deu-lhes a chance de escolher seu próprio caminho, em vez de ficarem sempre presos às alternativas impostas pelas elites para perpetuar sua dominação de classe e a brutal exclusão social que sofrem os trabalhadores no Brasil, e em toda periferia capitalista.

Não é à toa que os interessados em manter seus privilégios e a alienação do homem e da sociedade brasileira viram logo no seu “método” um perigo iminente à manutenção do status quo, uma ameaça sem precedentes a seus valores e instrumentos de dominação, uma verdadeira “subversão da ordem”, pois se tratava não só de alfabetizar com rapidez e eficácia, mas, estimular o processo de conscientização. O medo das elites se agravava quanto mais crescia a aceitação de sua metodologia. Freire se refere a este fenômeno afirmando que “se não tivesse sido interrompido pelo golpe de 64, naquele ano, deveria estar em funcionamento vinte mil círculos da cultura em todo país”.

Paulo Freire como intelectual orgânico e, mais do que isso, como um militante político, ao colocar seus conhecimentos em prática, valorizando o homem do povo, aprendendo com a vida, formando educadores engajados e respeitadores da experiência e da sabedoria popular, transformava valores, atacava a meritocracia, o autoritarismo e a hierarquização nas relações. Subvertia a ordem do poder dominante, da lógica do lucro, dos ricos, valorizando o homem e a natureza.

Nesta passagem do seu livro “Educação como prática da liberdade” encontramos uma pequena síntese de porque o pensamento de Paulo Freire amedrontava aqueles que têm pavor do “despertar” das massas:

“Como explicar que um homem, analfabeto até poucos dias, escreva palavras com fonemas complexos antes mesmo de estudá-los. É que, tendo dominado o mecanismo das combinações fonêmicas, tentou e conseguiu expressar-se graficamente como fala.

A afirmação que nos parece fundamental de ser enfatizada é a de que, na alfabetização de adultos, para que não seja puramente mecânica e memorizada, o que se há de fazer é proporcionar-lhes que se conscientizem para que se alfabetizem.

Daí à medida que um método ativo ajuda o homem a se conscientizar em torno de sua problemática, em torno de sua condição de pessoa, por isso de sujeito, se instrumentalizará para suas opções.

Aí então, ele mesmo se politizará. Quando um ex-analfabeto de Angicos, discutindo diante do presidente Goulart e sua comitiva, declarou que já não era massa, mas povo, disse mais do que uma frase: afirmou-se conscientemente uma opção. Escolheu a participação decisória, que só o povo tem, e renunciou a demissão emocional das massas. Politizou-se.”


Fontes de Consulta:
FREIRE, Ana Maria Araújo. Paulo Freire: uma história de vida. Indaiatuba,SP: Villa das Letras, 2006.
SOUZA, Ana Inês. Paulo Freire – Vida e obra. São Paulo: Expressão Popular, 2005.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. São Paulo: Paz e Terra, 2007.
_____ Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
_____ Pedagogia da esperança: um encontro com a pedagogia do oprimido. 11ª. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
_____ Educação na cidade. 5ª. Ed. São Paulo: Cortez, 1995.
_____ Extensão ou comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

sábado, 13 de agosto de 2011

Vamos mudar???

Estava assistindo TV, quando passando pelos canais, me deparei com o jornal mostrando a briga de alunos e professores de nível superior com a policia, os estudantes chilenos saíram às ruas para exigir educação pública de qualidade em protestos mobilizados por estudantes e professores de todas as faculdades, bem diferente do Brasil, aqui fazemos movimentos em relação a marcha heterossexual e maconha.
Todos que são desrespeitados, por motivos como cor, raça, opção sexual entre outros, devem lutar sim, porém, o movimento Chileno, mostra se muito mais apropriado neste momento, guiado pelo coletivismo, talvez criado a anos atrás, quando em 1990 o Chile resolveu investir em educação, utilizando boa parte de seus recursos com medidas voltadas a está área, como 08 horas de estudos nas escolas para os alunos, troca a cada cinco anos das diretoras das escolas, melhores salários, bolsas voltadas a todos ou boa parte dos alunos, fiscalização das entidades educacionais etc...
Com estas e outras ações, o Chile um pais bem menor que o Brasil, vem se desenvolvendo e crescendo, aumentando o investimento de seu PIB de 3,5% para 6% na educação, enquanto o Brasil se mantém com 5%, talvez este se torne um meio para alcançar a melhorias e o tal desenvolvimento social, econômico e de pensamentos que almejamos.
Então vem a pergunta” Se temos exemplos aqui na America do Sul de desenvolvimento, porque não seguimos e melhoramos também???”
A resposta, será bem mais obvia, os donos do Brasil, tem medo do poder que será dado ao povo, como controlar um povo, que sabe dos seus direitos e os deveres do governo, um povo com pensamento próprio e critico, onde lutarão por benefícios de todos, não só de um, sabendo se as atitudes dos governantes são viáveis e se seguem uma linha de propostas que devem ser seguidas.
Assim, termino este texto, pedindo para que você, como leitor consciente e formador de opinião, perceba o que os donos do Brasil estão fazendo e trabalhe para que isso mude, divulgando e mostrando aos outros, o que está se formando nosso Brasil, e vamos mudar isso, vamos mobilizar a comunidade onde vivemos, desde nosso lar, nosso trabalho, escolas, igrejas, amigos e faculdades, devemos fazer um movimento social, que deve fiscalizar os governantes e comunicar as varias áreas sociais, para que de um modo geral, todos se alinhem a causa, esta que deve ser boa e adequada para todos. Enquanto não for bom pra todos, não será bom para nenhum.
“ Tais grupos poderiam eventualmente aglutinar-se num movimento universal, contribuindo poderosamente para o desenvolvimento dos indivíduos e a melhoria das instituições políticas. Mas é preciso evitar qualquer tentativa de criar uma uniformidade de pensamentos nesses grupos. Os seres humanos devem reunir-se não para impor, mas para questionar. A verdade dispensa o auxílio de multidões comandadas.” (William Godwin), Woodcock, George, 1912-1995. História das idéias e movimentos anarquistas-v : tradução de Júlia Tettamanzy. – Porto Alegre : L&PM, 2010 pag.86 )
Beto Polezi

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Criativo, respeitoso e livre


                                                     Operários, obra modernista de Tarsila do Amaral

Vamos falar um pouco sobre um assunto de interesse de todos os trabalhadores e empresários, a carga horária.

Desde a revolução industrial, onde eram trabalhadas cargas de 12, 16 ou até 18 horas estamos vendo a evolução desta área, que afeta o empresário, que quer pagar menos impostos e obter o melhor resultado referente a seu grupo de colaboradores, os trabalhadores que querem trabalhar com dignidade, sem esquecer  de suas famílias e dele mesmo e os políticos que podem dar inicio a esta mudança, diminuindo impostos a quem contrata pessoas por cargas de seis horas, aumentando conseqüentemente o numero de vagas de trabalho e acabando ou diminuindo com o desemprego.

Estudos  mostram, como o pico da fadiga afeta o trabalhador, causando acidentes e diminuindo sua participação no trabalho, quando se aproxima do horário do almoço quase que 30 minutos, depois quando retorna da uma hora de almoço ao trabalho, tem uma   demora a voltar se o ritmo  normal, de aproximadamente 30 minutos e tendo por seu final, mais meia hora antes de terminar seu período de trabalho, assim totalizamos 1 hora e 30 minutos de  picos de fadiga, claro sem contar a 1 hora de  descanso em um total de 2 ou 2 hora e 30 minutos.

Como base neste modelo, podemos  seguir nosso pensar e avaliar a possibilidade de um novo horário de trabalho, este que seria de seis (06) horas diárias, podemos fazer isso devido a soma do tempo perdido em um dia de trabalho, mostrado no exemplo dos estudos, onde com os picos de fadiga dão uma queda ao rendimento gritante, enquanto com a carga horária de seis horas diárias, mostra se enxuta e sem queda de rendimento.

O melhor de tudo que falei é que por lei, nas seis horas,  estamos seguindo a legislação corretamente sem cometer atrocidades com colaboradores, simplesmente  dando  um intervalo para um lanche de 15 minutos, para o descanso  e alimentação, um café da tarde ou um  lanche da noite.

Tudo isso já existe, e é aplicado em países desenvolvido,  onde seus representantes  andam em igualdade de pensamento com seu povo, fazendo assim, escolher coisas mais proveitosas a massa e diminuindo ou exterminando com o desemprego, dando dignidade a todos em sua pátria, diminuindo criminalidade, pobreza e desigualdade.

Temos que aplicar aqui este modelo, tudo se torna informatizado e automatizado, eliminando o trabalho do homem, ou começamos a ter está visão, ou seremos tecnologicamente evoluídos e desempregados. Que às 02 horas a mais no dia do trabalhador, possam ser usada para estudos nossos e dos nossos filhos, no aprofundamento do conhecimento do trabalho dos políticos, criar uma visão critica, se tornando um ser pensante e questionador da sociedade, saindo das amarras da escravidão do aceitar sem questionar, amante das artes e tornando se criativo, respeitoso e livre.

Beto Polezi.

“Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como o único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens; não esta liberdade formal, outorgada e regulamentada pelo Estado, mentira eterna que, em realidade, representa apenas o privilégio de alguns, apoiado na escravidão de todos; não esta liberdade individualista, egoísta, mesquinha e fictícia, enaltecida pela escola de Rousseau e por todas as outras escolas do liberalismo burguês.” (Michael Bakunin - Texto “Quem sou?”, publicado na Revista “Pense - Século XXI”, edição de outubro de 2003)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Uma mentira boa.

Como comunicador, entendo que tudo de bom que você faz, como empresa, pessoa, sindicato e etc. Pode e deve ser mostrado para as pessoas  de um setor, comunidade, mercado, etc. Pois este é um dos papeis da comunicação, mostrar os benefícios causados com suas ações e que você está trabalhando, principalmente se isso for usado para uma prefeitura, que futuramente vai querer relembrar o eleitor de tudo já feito ou melhorado. Isso seria real em qualquer outra prefeitura do mundo, menos em Sta Barbara, aqui o prefeito e o pessoal da secretaria sei lá do que, usam a comunicação, como ferramenta de enganação e mentira ou no mínimo de modo errado.
Estava eu, fazendo o caminho sentido, av. Iacanga, Mollon e Tivolli, quando me deparei com uma enorme placa, “ OBRA 248”, isso me levou a uma reflexão.

 O que são obras para a prefeitura??
 Onde estão as outras 247??
 Sabemos que  conta,  não é o forte da administração Mario Heins, cheio de dividas e investigações, também sabemos que a verdade, não se enquadra em seu perfil, agora ,chamar o povo de BURRO, sim, é isso que é feito quando se comunica uma mentira destas, creio que nos, como, pessoas, empresas e comunidade,  devemos lutar contra este tipo de comunicação, administração e principalmente, contra este tipo de pessoa, que só quer ganhar no jogo sujo, usando de qualquer coisa que o ajude em seu caminho de desordem e injustiça.
Infelizmente é isso que sobrou para o cidadão de Sta Barbara, mentiras e números incorretos em uma administração errónea, cheia de dividas, investigações e mentiras, temos que ficar atentos, pois quem escolhemos para nos representar e guiar, ser um líder, entendeu de maneira errada o que deve fazer, quando devia ajudar, roubou, quando devia falar, calou e quando devia zelar pelo bem, enganou. 
Beto Polezi
  

quinta-feira, 21 de julho de 2011

É preciso cortar a cabeça da Górgona


Como o PT e Lula se tornaram os principais beneficiários de um dos regimes mais corruptos do mundo. Ou: É preciso cortar a cabeça da Górgona


Estão dispostos a encarar? Longo, mas, modéstia às favas, acho que bastante bom. Avaliem.
*
A corrupção no poder não é um problema exclusivamente brasileiro; aqui, no entanto, as coisas estão saindo do, vá lá, razoável. Sim, há certa razoabilidade até no mundo da bandalheira. Quem tem uma posição de mando está permanentemente ameaçado pela tentação de contemplar os próprios interesses. Resistir é uma questão de caráter. É preciso trabalhar com pessoas decentes, pois. Mas, nas democracias organizadas mundo afora, confia-se menos nos homens do que nas instituições; são estas que controlam aqueles, não o contrário. No que diz respeito à coisa pública, é preciso diminuir o espaço do arbítrio, da escolha pessoal, em benefício de um padrão que interessa à coletividade. No Brasil, estamos fazendo o contrário: a cada dia, diminui a margem de escolha dos indivíduos privados, e aumenta o arbítrio do estado. É o modo petista de governar. É claro que isso não daria em boa coisa. Convenham: nós, os ditos “conservadores” — “reacionários” para alguns —, estamos denunciando essa inversão de valores faz tempo.
A forma como o poder está organizado no Brasil facilita a ação dos larápios. Há um elemento de raiz nessa história. O regime saído da Constituição de 1988 foi desenhado para o parlamentarismo até a 24ª hora; na 25ª, pariu-se o presidencialismo, e veio à luz um regime híbrido, de modo que o chefe do Executivo fica de mãos atadas sem a maioria no Congresso, e o Congresso não existe sem a distribuição das prebendas gerenciadas pelo Executivo. Ai do presidente que perder a maioria no Parlamento! É claro que Fernando Collor, por exemplo, caiu por bons motivos, mas os motivos para a queda de Lula em 2005 eram maiores e melhores, e, no entanto, foi socorrido pelo Legislativo. O resto é história.
Isso que se convencionou chamar de “Presidencialismo de Coalizão” se mostra, já escrevi aqui, “Presidencialismo de Colisão com a Moralidade Pública”. Aquele que vence a eleição presidencial precisa começar a construir, no dia seguinte à vitória, a sua base de sustentação no Congresso. Não o faz com base num programa de governo. Sabemos como isso está desmoralizado, não? No máximo, há algumas palavras de ordem. Uma das idéias-força de Dilma Rousseff, por exemplo, era o ataque às privatizações… Agora, ela faz o diabo para tentar acelerá-las no caso dos aeroportos, por exemplo.
Ao buscar o apoio no varejo, o que tem o eleito a oferecer? Como se viu, nem mesmo um programa de governo. Resta negociar com o bem público: “Ô Valdemar, rola o apoio dos seus 40 deputados em troca do Ministério dos Transportes, de porteira fechada?” Claro que rola! Pensem bem: por que um partido quer tanto uma pasta como essa? Vocação natural dos valentes para servir? Expertise adquirida ao longo de sua história, de sua militância? Não! Está de olho na verba da pasta, no seu orçamento. Passam, então, a usar uma estrutura do estado e o dinheiro público com três propósitos:
a - fazer política clientelista com os aliados — distribuindo pontes, asfalto, melhorias aqui e ali segundo critérios partidários;
b - fortalecimento do partido por meio da “caixinha” cobrada de empreiteiros e prestadores de serviços;
c - enriquecimento pessoal.
O interesse público, a essa altura, foi para o diabo faz tempo. O PR sabe que jamais exercerá a hegemonia do processo político; sua principal virtude — ou melhor: a principal virtude do partido para seus próceres — é ter porte médio; é ser importante na composição da maioria, mas sem ter a responsabilidade de governar. Isso ele deixa para os dois ou três grandes aos quais pode se associar, sempre cobrando o ministério de porteira fechada. Torna-se, assim, um ente destinado a fazer negócios, não a implementar políticas públicas.

Fragmentação partidária

A fragmentação partidária, outra herança perversa da Constituinte de 1988, também está na raiz desse mal estrutural, que predispõe o sistema brasileiro à corrupção. Os tais movimentos sociais capitaneados pelo PT e pela igreja, os egressos do exílio, mesmo os liberais que combateram a ditadura militar, toda essa gente se juntou para defender a ampla liberdade de organização partidária, estabelecendo critérios muito frouxos e pouco exigentes para a criação de legendas, que foram se tornando ainda mais relaxados por legislação específica.
“Pra que tanto partido, meu Deus?”, pergunta o meu coração. Para assaltar os cofres públicos! Ou alguém identifica no, sei lá, PR, PP e PRB diferenças ideológicas de fundo, que realmente os diferenciem? Ou ainda: o que eles têm de incompatível com o PMDB, por exemplo, e este com o PSB ou com o PDT? A experiência mundo afora tem demonstrado que dois partidos bastam para fazer uma sólida democracia, eventualmente três. Os demais ou servem à vaidade de líderes regionais — na hipótese benigna e mais rara — ou ao assalto organizado ao caixa. Esses partidos não DÃO apoio a ninguém, mas o VENDEM. Os que não conseguem expressão eleitoral para reivindicar cargos públicos fazem negócios antes mesmo da eleição: negociam seu tempo na televisão.
Dá para ser otimista quanto a esse particular? Não! Os encarregados de fazer uma reforma partidária, por exemplo, são os principais beneficiários da fragmentação partidária. Isso não vai mudar.

Como o PT degradou o que já era ruim

Não! Eu não vou igualar o governo FHC ao camelódromo petista só para que me julguem isento. Até porque deixo a “isenção” para os que não têm independência para se dizer comprometidos com certas idéias e teses. Eu, felizmente, tenho. O tucano também governou segundo esse sistema chamado “presidencialismo de coalizão”, sim; denúncias e casos de corrupção também apareceram em seu governo, mas o fato é que a sua gestão tinha um propósito que, a juízo deste escriba, tirou o Brasil do fim do mundo e o fez um ator importante na ordem global: a modernização da economia, que se expressou por intermédio das privatizações, da abertura ao capital estrangeiro, da reorganização do sistema bancário, da disciplina nas contas públicas, da estruturação da assistência social. E tudo debaixo do porrete petista, é bom lembrar. FHC governou essencialmente com o PSDB e com o PFL, os dois partidos que venceram a eleição.
Os leitores mais jovens não têm como saber, mas eu lembro: quando FHC, então pré-candidato do PSDB à Presidência, anunciou a disposição de fazer uma composição com o PFL, a imprensa “progressista” ficou arrepiada. “Como? O intelectual que veio da esquerda se junta aos conservadores? Que horror!” Seu governo, depois, e isso todos sabem, foi chamado de “neoliberal” pelos intelectuais e jornalistas pilantras do PT. Adiante.
O PT entrou na disputa de 2002 prometendo duas coisas antitéticas — o que gloriosamente apontei na revista Primeira Leitura, que fechou as portas em 2006: “mudar tudo o que está aí” (era o discurso de sempre do petismo) e “preservar tudo o que está aí” — essência da tal “Carta ao Povo Brasileiro”, que Antonio Palocci e outros petistas redigiram na sede de um banco de investimentos. A síntese que fiz à época foi esta, e eu a considero, modéstia à parte, muito esperta até hoje: “O PT é a continuidade sem continuísmo, e Serra (então candidato tucano) é o continuísmo sem continuidade”. Minha síntese é boa, mas algo fica faltando.

Oferecer o quê?

O PT NÃO CONTINUOU FHC num particular: faltava-lhe um projeto de governo. Além da continuidade sem imaginação, levado pelos bons ventos da economia mundial, o que o partido tinha a oferecer? Certa resistência do ex-presidente tucano à feira livre dos cargos, aos lobbies organizados de corporações sindicais e empresariais, à demagogia do “faço-e-aconteço” — e essa era uma das virtudes republicanas de FHC — foram transformadas por Lula num grande defeito, numa evidência do governante frio e tecnocrata. Ele, Lula, era diferente: abria as portas do Palácio a quem tivessem alguma reivindicação, ouvia todo mundo, atendia a todos os pleitos. O Apedeuta transformou o governo federal, em suma, numa espécie de pátio dos milagres de quantos quisessem arrancar um dinheirinho dos cofres públicos em troca do apoio ao governo.
O PT JÁ TINHA SE DADO CONTA, ÀQUELA ALTURA, QUE A HEGEMONIA DO PROCESSO POLÍTICO, QUE ESTAVA EM SEU HORIZONTE DESDE A SUA CRIAÇÃO, EM 1980, SE DARIA NÃO COM A MUDANÇA DA CULTURA POLÍTICA, MAS COM A SUA MANUTENÇÃO.
Por isso Lula disparou certa feita a máxima de que governar é fácil. Ele se dava conta de que a simbiose entre Legislativo e Executivo, de que a fragmentação partidária e de que a gigantesca máquina federal concorriam para a construção e consolidação daquela pretendida hegemonia. E não, ele não precisava nem ter nem anunciar projeto nenhum! Bastava manter nas mãos do PT o núcleo duro do poder e distribuir cargos à mancheia. Teria o Congresso, como teve, na palma das mãos. Se a aliança estratégica que FHC fizera no passado com o PFL soou a muitos uma traição, a de Lula com a escória da política foi tida como evidência de uma pensamento estratégico e sinal de amadurecimento do PT.
O PT, FINALMENTE, SE TORNAVA O PRINCIPAL BENEFICIÁRIO DO MODELO CONTRA O QUAL, PARA TODOS OS EFEITOS, SE CONSTRUÍRA.

Um novo sentido moral para a corrupção

Vocês já devem ter lido que Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e espião oficial de Lula na gestão Dilma, tentou livrar a cara de Luiz Antonio Pagot. O Babalorixá de Banânia, embora diga o contrário, não aprova o desmanche da canalha que incrustada no Ministério dos Transportes. Ainda que Dilma seja, obviamente, beneficiária indireta do modo como Lula construiu o governo, tem lá algumas exigências incompatíveis com aquela máquina de ineficiência e corrupção em que se transformou a pasta. Para o demiurgo tornado o ogro da democracia brasileira, isso é absolutamente irrelevante.
Há muito, desde o antiqüíssimo Caso Lubeca — pesquisem a respeito —, o petismo tenta demonstrar que a corrupção praticada pelo partido e por seus aliados tem um sentido moral diferente daquela eventualmente protagonizada por seus adversários. As lambanças petistas seriam imposições da realidade e buscariam sempre o bem comum; no máximo, admite-se que o partido faz o que todos fazem; censurá-lo, pois, seria evidência de preconceito. Esse juízo chegou ao paroxismo durante o mensalão. Muito bem! O PR não inovou seus métodos nos seis meses de governo Dilma; apenas continuou a praticar o que fez nos oito anos de governo Lula. Não por acaso, Valdemar Costa Neto foi um dos protagonistas do escândalo do mensalão. E com tal evidência que renunciou para não ser cassado. Carvalho, em nome de Lula, tenta segurar Pagot porque entende que o PR é parte da construção da hegemonia partidária. Os petistas deram dignidade à escória da política brasileira.

Como se desarma isso?

Como se desarma isso? Não tenho a pretensão de ter uma resposta definitiva. E acho que não há “a” ação eficaz. A vigilância da imprensa, como provou VEJA, é certamente um elemento poderoso. Os partidos de oposição têm de ampliar sua articulação com a sociedade, que se expressa cada vez mais nas chamadas redes sociais. A cada um de nós cabe denunciar a corja de vigaristas que, sob o pretexto de “mudar o Brasil”, transforma o país no reino da impunidade.
E, definitivamente, é preciso denunciar a ação deletéria do sr. Luiz Inácio Lula da Silva. É preciso cortar a cabeça dessa Górgona barbuda sempre disposta a justificar as piores práticas políticas e a petrificar o juízo crítico. Ele se tornou hoje o símbolo do desastre moral que é a administração pública do Brasil. Não por acaso, enquanto o governo Dilma se quedava ontem entre a paralisia e a evidência da corrupção desbragada, lá estava ele ontem confraternizando com os “governistas” da Fiesp, hoje um dos aparelhos rendidos ao lulo-petismo. Comemorando o quê?
A condição de Lula de chefe de um dos regimes políticos mais corruptos do mundo. Isso, como vimos, não será denunciando pelos “comunistas” da UNE, um cartório do PC do B, sócio do poder. Também não será denunciando pelos supostos “capitalitas” da Fiesp, um cartório dos que estão de olho, ou já os têm, nos empréstimos do BNDES a juros subsidiados ou em alguma exceção fiscal.
É assim que se faz da corrupção um método e quase uma metafísica.
Texto publicado originalmente às 18h09 desta terça
Por Reinaldo Azevedo