Ter memória boa é às vezes um privilégio, outras um castigo. Dizem os especialistas que devemos ocupá-la e estimulá-la para que não se perca. Participar da política ativamente e também da política partidária é um excelente exercício. A política exercita nossa memória.
Na última semana nossa memória lembrou-se do filme da “Revolução na Educação” que ia ser promovida pelo candidato Mário Heins se eleito. Se alguém não lembra ou tem memória curta o nosso candidato era o Zé Maria.
Em nossa oposição tínhamos o então candidato Mário Heins e o vice Larguesa. Ele, o Mário não tinha um discurso lá muito eloqüente, mas tinha uma campanha forte, dezoito partidos aliados, e esse tema é apaixonante e extremante atraente, quem não sonha em mudar o mundo pela educação.
Os candidatos Mário e Larguesa prometeram isso. Prometeram uma revolução na educação. Prometeram vagas em escolas e creches, se não tivessem públicas iriam comprá-las na rede particular. Prometeram merenda de qualidade, prometeram 10 CIEPs, prometeram que continuariam com o sistema de ensino apostilado, e prometeram, acima de tudo, uma valorização dos profissionais da educação. As monitoras que outrora haviam colocado nariz de palhaço seriam, prometeram eles, finalmente valorizadas.
Eles prometeram democracia na educação (querendo dizer sei lá o que com isso). Seria o paraíso, começaríamos por Santa Bárbara a mudar o mundo pela Educação. Pena que era mentira.
Não nos assusta que a população menos preparada e iludida por uma maçante campanha publicitária tenha acreditado, nessa e nas outras tantas mentiras e promessas. Não nos espanta que os profissionais da educação quisessem mais, todos sempre merecemos mais. Assim não podemos deixar de constatar que a mentira venceu e, iludida a cidade acreditou na revolução. Isso está tudo aqui na nossa memória, ela não nos deixa em paz.
Passada a eleição, já na transição, o então eleito Prefeito declarou que para ocupar a pasta que promoveria a revolução, a Secretaria de Educação viria o Americanense e nem um pouco arrojado e novo em princípios e atitudes, o Herb Carlini. Foi o primeiro sinal que não ia dar certo.
Empossado Prefeito e nomeado o Secretário, iniciaram uma campanha dentro da Secretaria para arrebatar simpatizantes, contemplando a todos com portarias, cargos e salários maiores. Iniciou-se um processo de eleição de diretores no qual simpatizantes do antigo governo não puderam sequer participar. E convenhamos salário maior, portarias e nomeações sem critério não são valorização, mas por um bom tempo funcionou, o nariz de palhaço nunca mais apareceu. Peço a vocês um exercício de memória, não foi isso que aconteceu?
Seguiu-se então uma nova ordem na merenda escolar, que era sim de qualidade, novos chefes e novos fornecedores, duvidosas compras e escassa quantidade. Foi assim ou estamos enganados?
Os 10 CIEPs não aconteceram. Quatro escolas que já existiam e estavam em pleno funcionamento trocaram de nome, de ADI para CIEP. Foram a Terezinha Sbravati no Jardim Europa, a Carmelina no Nova Conquista, a Euvaldo na Cidade Nova e a José Renato no Vista Alegre. Teve uma quinta escola, a do Santa Rita, que estava com as obras avançadas, e que recebeu o nome de CIEP Leonel Brizola, em uma homenagem ao falecido líder do PDT, partido do Prefeito. Realmente ele não quis homenagear ou valorizar nenhum educador, nem daqui, nem de nenhum lugar, quis é homenagear um político.
Ou seja, o Mário e o Larguesa terminaram meia escola em dois anos de governo. Faltam nove e meia para cumprir a promessa de 10 CIEPs.
O sistema de ensino foi um caso a parte. O sistema foi simplesmente cortado, ainda que na campanha houvesse sido prometido o contrário e ainda que os professores tenham sido consultados e optado por sua permanência. Essa é a democracia que eles prometeram implantar na revolução da educação. Até hoje não explicaram o motivo, e não o fazem nem perante os órgãos fiscalizadores como o Tribunal de Contas do Estado, que questionou como a rede municipal vinha sendo atendida e a prefeitura não se manifestou.
Mas, como diz o ditado, aqui na educação a mentira também tem perna curta e profissional da educação não é capacho e não precisa de nariz de palhaço. Chega de acobertar mentira, de arriscar as crianças, de fingir seriedade, de maquiar democracia.
Na última semana, o silêncio se quebrou, a cortina de fumaça se abriu e os profissionais da educação se mostraram. Deixaram seus cargos à bem de uma verdade, abriram mão de salários e portarias, desnudaram o governo. Manifestaram-se e apresentaram com propriedade os problemas da rede municipal de educação.
O Prefeito e o Secretário, no único pronunciamento que fizeram afirmaram que o problema com uma das supervisoras, estopim do caso, é político, em seguida, como vem fazendo a cada mentira descoberta, se calaram e sumiram.
Nossa memória comemora, já que não está mais sozinha e que nunca esteve enganada. Ficamos felizes com a postura e felizes porque podemos, a partir de agora sonhar de novo, sonhar com o novo, começar sim uma revolução nessa cidade, começando pela seriedade de princípios, de valores e de compromissos. Uma revolução pela verdade.
PSDB- Partido da Social Democracia Brasileira
Diretório Santa Bárbara d´Oeste
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